Mês passado eu estava já começando a ter uma fase mais depressiva, e decidi que tinha que mudar e focar em outras coisas como minha vida profissional e espiritual.
Aí prometi para mim mesma que não leria mais fics esse ano até eu avançar no estudo da bruxaria e construir meu portifólio profissional.
Apaguei os apps de fics, mas reinstalei o Tiktok, troquei um pelo outro e não evolui quase nada do que eu disse que faria.
Como eu falei no post anterior, eu fiquei gripada esses dias e decidi que eu poderia me mimar lendo alguma fic... só estava com preguiça para procurar uma que valesse pena ler, sabe...que chamasse minha atenção de verdade.
Esse printzinho é do meu status cafe, peguei agorinha. 38 dias atrás eu estava toda dramatica me despedindo das fics e lendo Lily's Boy como despedida; três dias atrás eu estava querendo uma fic. kkkkk
Só que conforme eu fui lendo, foi ficando mais visceral. De verdade...
As crises de ansiedade do Baekhyun por causa de se sentir perdido, dele estar recomeçando e os percauços dos recomeços, porque ele acabou indo para aquele emprego merda, mas era o que pagava as contas; porque ele até encontrou alguém tão fodido quanto ele e o amou, mas só amar não é o suficiente; porque a família do Baek foi descrita em partes como a minha...
Me identifiquei tanto com o Baek em alguns pontos, que nas cenas que tinha ele tendo que ouvir as atrocidades da família fodida dele, e eles tentando mascarar a situação do Baek e quem ele foi e quem ele era... acho que eu quebrei mais na cena em que ele depois de passar pela última crise, em um certo momento acaba falando para a mãe homofóbica dele que ele amava o Chanyeol.
Nossa, só de pensar me dá um aperto de novo. Porque ela bate nele, de com força mesmo, diz mais coisas horríveis. E nesse momento eu percebi que eu me iludi achando que algumas feridas minhas estavam cicatrizadas.
Acho que eu me distanciar mais da minha mãe, desde a última vez que ela veio aqui em casa, foi só uma leve camada de cicatrização que eu tinha começado a construir nas minhas feridas.
Por isso que eu disse que se você não prestar atenção, você entra nesse lado de espiritualidade e acha que todos os seus traumas vão ser curados de uma hora para outra e vira um gratiluz que finge que eles não existem.
Essa fic me trouxe para esses lugares sombrios meus que eu achei que tinha enterrado. Mas isso não quer dizer que a fic é ruim, porra de jeito nenhum. Acho que me sinto até grata, por me colocar de frente com a minha descoberta de que tudo bem chorar, tudo bem doer, porque ainda não está sarado.
Ler essa cena da parte da mãe do Baek batendo nele, me lembrei de dois momentos tão dolorosos que eu ainda tenho aqui comigo. Mas não quero esquecê-los, não quero que a cura seja eu esquecer deles, porque é a lembrança que me força a limitar quem me machuca agora.
A primeira vez foi em 2016, eu acho. Eu já estava em fase de me recuperar de um crise (não tratada) de depressão. Eu tinha conseguido terminar o ensino médio depois de quase repetir, e lembro que fui tomar sorvete com minha mãe e minha prima. Em algum momento, eu na minha minha inocência comentei que e se fosse uma mulher, acho que estávamos falando de casamento ou sei lá.
Não sei porque estávamos falando disso, eu mal tinha 18 anos. Mas lembro claramente o momento, a iluminação da rua lateral e a voz dela falando: Então não seria mais minha filha.
Na hora eu não entendi, só ri sem graça, mas anos depois eu nunca mais falei nada sobre isso. E sempre me forcei a parecer que só me interessava por um casamento "tradicional", bem mais no futuro, mas "tradicional".
Esse ano, em algum momento em maio, eu acho... ela estava aqui em casa e estávamos jantando, até que surgiu o assunto de alguma fofoca e não sei o que, e eu comentei: Não, mas meu ou minha filha isso e aquilo.
Eu estava fazendo planos para um futuro, porque ainda pensava em sim, que eu deveria ter uma criança para meus pais verem mais um neto.
Ai, ela falou: Se fosse para ter filho, já era para ter feito. Com essa idade está tarde de mais.
Só que agora eu não sou mais tão ingênua como a minha eu de dez anos atrás, daí eu rebati: Olha só quem fala, que eu me lembre eu nasci quando a senhora tinha trinta e seis anos.
Daí eu terminei de engolir o jantar e fui para meu quarto.
O mais irônico é que ela faz questão de repetir pelo menos uma vez por ano, que quando ela me teve, foi um milagre de Deus, porque os médicos disseram que pela quantidade de vezes que ela tinha abortos e parido já não poderia mais.
Desde então, eu juntei esses dois acontecimentos dolorosos que ouvi da mulher que eu praticamente idolatrava, e me recolhi.
Não sou tão participativa, falo o suficiente para não ser questionada demais e quando ela aparece aqui em casa, mais para ver minha irmã, eu tento ser mais distante. Até porque, quando ela vem ela nunca pergunta o que eu estou fazendo, ou as novidades da minha parte.
Tudo o que eu escuto é referente ao meu irmão mais velho, que é o favorito dela porque ele é só meu irmão por parte de mãe, então eu cresci ouvindo que meu irmão só tinha ela e por isso que ela ficava mais com ele.
Antes eu me importava mais, mas hoje, acho até bom. Menos oportunidades dela me falar algo homofóbico ou de intolerância religiosa.
Somos todos adultos, não é mesmo? Não vou mais ficar me responsabilizando pelos sentimentos de quem me machuca.
Então, li a fic e terminei. Mas continuei chorando.
Primeiro eu me culpei porque achei que eu não deveria deixar a tristeza e memórias ruins me afogarem. Que chorar era uma energia gasta atoa, que eu ia ficar com uma puta dor de cabeça.
Mas lembrei de como o Baek da fic foi saindo da crise. Não foi uma história de ele ou o Chanyeol nunca mais iriam passar por aquilo, que não doia, que seria um final feliz de entardecer e passarinhos em volta deles.
Aí eu me permiti chorar e ficar um pouco triste sim. Porque ainda dói, porque é uma camada bem fininha de cicatrização, é frágil.
Hoje consegui pintar um pouco, e até lavei a louça sem reclamar que só eu faço isso aqui. Sempre penso que quando eu for morar sozinha de verdade, vou continuar lavando a louça mesmo.
Queria ser mais cética ou estóica. Mas acredito em magia e energia e tudo mais. Hoje é lua cheia e minha selenita está sendo banhada por ela, porque é assim que se purifica a selenita.
Antes de ir dormir vou recolher e colocar debaixo do meu travesseiro, vai me ajudar a dormir.
Acho que vou já fazer um nescau quente e tomar enquanto tento fazer um layout para esse blog que será hospedado no Nekoweb agora.
Também quero fazer uma meditação para cura.
E pelo mês, vou tentar voltar com a terapia.
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